Geração de demandaas a ServiceFormação em Marketing B2B
Voltar para os artigos

Qual a diferença entre geração de demanda e geração de leads?

E por que a meta de volume de leads atrapalha o marketing B2B de ticket alto

Por David Costa LimaPublicado em 9 min de leitura
Neste artigo

Em poucas palavras

Geração de leads é uma tática. A empresa oferece um conteúdo, como um e-book ou um webinar, em troca do contato da pessoa, e esse contato vira um lead. Geração de demanda é a estratégia inteira de transformar um mercado em receita, em quatro movimentos, que são criar, capturar, converter e expandir demanda.

Ou seja, a geração de leads é uma parte pequena da geração de demanda. E tem um detalhe que pouca gente percebe. Quem baixa um material está se educando sobre um problema, e não necessariamente procurando um fornecedor, por isso mandar esse contato direto para vendas costuma dar uma taxa de fechamento muito baixa.

Na venda B2B de ticket alto, em que só uma parte pequena do mercado está comprando a cada momento, correr atrás de volume de lead faz o marketing abandonar justamente o trabalho de criar demanda nos outros 95%.

Geração de leads não é estratégia, é uma tática.

E boa parte da confusão do marketing B2B nasce de tratar uma coisa como se fosse a outra.

Para entender a diferença, vale começar pelo que acontece hoje dentro de muitas empresas.

Como a meta de leads nasce

Quase toda empresa B2B faz uma conta reversa para planejar o ano, e a conta em si não está errada.

  • Ela parte da receita que precisa vender
  • Olha a taxa de conversão de cada etapa do pipeline
  • Chega no número de oportunidades que precisa abrir
  • E daí chega no número de leads que o marketing precisa gerar

Aí a meta do marketing vira volume de lead, algo como 50 leads por mês ou 150 no trimestre.

E o que acontece quando a meta é volume?

O marketing faz o que for preciso para bater o número. Ele lança mais materiais, abre a segmentação, aumenta a verba de mídia, e os leads entram.

Só que vendas liga para esses leads e encontra gente que não está comprando. Então o time comercial reclama da qualidade, e o marketing responde que bateu a meta e que os leads estão dentro do ICP, porque são das empresas e das regiões certas.

Os dois têm razão, e é por isso que essa briga não acaba. O problema está na meta, que cria um incentivo para gerar contato e não para gerar negócio.

O que é geração de demanda

Geração de demanda é a estratégia intencional de tirar o máximo de receita de um mercado-alvo, ou seja, do grupo de empresas e pessoas que a sua empresa escolheu atender.

Na metodologia da B2B Insiders, ela acontece em quatro movimentos que rodam ao mesmo tempo.

  • Criar demanda, fazendo o mercado reconhecer um problema e lembrar da sua empresa na hora de resolver esse problema
  • Capturar demanda, trazendo para o processo comercial quem entrou em movimento
  • Converter demanda, ajudando essa oportunidade a avançar até a venda
  • Expandir demanda, vendendo mais para quem já é cliente, com renovação, upsell e cross-sell

E onde entra a geração de leads nisso tudo?

Ela é uma das táticas possíveis dentro de um desses movimentos, ou seja, uma parte pequena de um trabalho bem maior.

O que é criação de demanda

A criação de demanda tem dois objetivos.

O primeiro é fazer a sua marca ser lembrada e considerada quando a empresa entrar no momento de compra. Imagina um diretor de compras que sabe que daqui a seis meses vai precisar trocar a plataforma que a empresa usa. Se ele já acompanha uma empresa que fala do problema dele com clareza, é dela que ele vai lembrar primeiro.

O segundo é acelerar a priorização do problema. No B2B, o maior concorrente muitas vezes é a inação. A compra é arriscada e demorada, e se der para deixar como está, muita gente deixa.

E tem uma diferença importante em relação ao B2C. Uma promoção de Black Friday consegue fazer alguém comprar hoje um casaco que só ia usar daqui a seis meses. No B2B, você até consegue acelerar a decisão, mas não consegue criar o momento de compra de forma artificial.

Por isso, o que a criação de demanda garante é que, quando a empresa entrar no momento de compra, a sua seja uma das primeiras em que ela pensa.

O que é captura de demanda

A captura de demanda é o movimento de trazer para o processo comercial as empresas e pessoas que já estão procurando uma solução.

Ela acontece de dois jeitos.

  • Inbound, quando a empresa vem até você, buscando no Google, pedindo uma demonstração ou chegando por indicação
  • Outbound, quando você vai até a empresa, com o time comercial abrindo conversa com quem mostrou algum sinal

E o objetivo da captura é sempre uma oportunidade validada, ou seja, uma reunião com uma empresa que tem o problema, que pode ser resolvido pela sua solução, e que tem como pagar por ela.

Repara que o objetivo da captura é a oportunidade, e o contato é só o começo dela.

Onde a geração de leads entra de verdade

Aqui está o ponto que mais confunde.

A geração de leads que o mercado conhece, popularizada pelo inbound marketing, é a tática de oferecer um material, como um e-book, um guia ou um webinar, em troca do contato da pessoa. Depois o marketing passa esse contato para vendas.

Mas quem baixa um e-book está fazendo o quê?

A pessoa está se educando sobre um problema. E ela pode estar perto de comprar ou muito longe disso, e quase sempre não dá para saber.

Ou seja, essa tática está muito mais perto da criação de demanda do que da captura.

E é por isso que, quando a empresa passa todos esses contatos para vendas de forma sistemática, a taxa de fechamento costuma ser muito baixa. Para dar certo, a pessoa precisaria estar se educando e procurando fornecedor exatamente na mesma semana, e isso acontece pouco.

Quem baixa um material está aprendendo sobre um problema. Procurar fornecedor costuma vir bem depois.

Isso leva a uma segunda pergunta.

Se o objetivo daquele conteúdo é educar o mercado, faz sentido colocar um formulário na frente dele? Cada pessoa que desiste de baixar porque não quer deixar o e-mail é uma pessoa a menos aprendendo com a sua empresa.

É por isso que cada vez mais empresas B2B deixam o conteúdo aberto, sem formulário, e pedem o contato só quando a pessoa quer conversar.

Por que isso funcionava há dez anos

Há dez ou quinze anos, o profissional B2B aprendia principalmente pelo Google e pelo e-mail. Podcast quase não existia, e o LinkedIn não era o lugar onde as pessoas se educavam.

Nesse cenário, oferecer um material em troca do contato e nutrir essa pessoa por e-mail era uma ótima forma de educar o mercado. Foi aí que ferramentas de automação de marketing como a HubSpot e a RD Station cresceram, porque elas mediam exatamente essa educação.

O que mudou foi a forma como o comprador aprende. Hoje a informação está no feed do LinkedIn, no podcast, no YouTube, nas comunidades e na IA, de graça e sem formulário.

Essa mudança aconteceu aos poucos. Ainda tem gente que lê e-book, mas em número absoluto é muito menos do que há dez anos. E quem insiste em educar o mercado só pela geração de leads está educando uma parte cada vez menor dele.

O tamanho do mercado decide quanto a captura aguenta

Em média, só uma parte pequena do mercado está comprando num determinado momento. O estudo mais conhecido sobre isso, do B2B Institute com o Ehrenberg-Bass Institute, da University of South Australia, fala em cerca de 5%.

Pode ser um pouco mais ou um pouco menos dependendo do setor, mas a lógica é a mesma, a maior parte do mercado não está comprando agora.

E o que isso significa na prática depende do tamanho do seu mercado.

Pensa numa ferramenta de gestão de redes sociais, como a mLabs. Qualquer empresa que tenha uma estratégia de social media pode usar, então o mercado é enorme. Mesmo que só 5% esteja procurando uma solução neste mês, em número absoluto é muita gente, e dá para viver bastante tempo de captura.

Agora pensa numa plataforma de compras para grandes empresas. O número de empresas que podem comprar é pequeno, e cada uma só troca de plataforma quando o contrato atual acaba. Os 5% que estão procurando agora são poucas empresas, e a captura bate no teto muito rápido.

É por isso que tantas empresas B2B de ticket alto tentam gerar oportunidade pelo Google e se frustram. E a explicação quase nunca está na tática ou na palavra-chave, está no tamanho do mercado, porque existe pouca gente procurando aquela solução a cada mês.

Quanto maior o ticket, maior o risco da compra e menor o mercado. E quanto menor o mercado, mais a empresa depende de criar demanda nos 95% que ainda não estão comprando.

O que muda na prática

A primeira mudança é na meta. Em vez de medir o marketing pelo volume de leads, a meta passa a ser o número de oportunidades reais no pipeline, a mesma coisa que vendas olha. Com isso, as duas áreas param de discutir a qualidade do lead e passam a olhar para o mesmo número.

A segunda mudança é separar as táticas entre criação e captura, e medir cada uma pelo papel que ela tem.

  • As táticas de captura, como a busca no Google e o pedido de demonstração, são medidas por oportunidades abertas no pipeline
  • As táticas de criação, como o podcast, os posts de LinkedIn e o webinar, são medidas por quantas empresas e pessoas do ICP foram impactadas e quantas estão engajando
  • Algumas táticas fazem as duas coisas. Um evento cria demanda em quem só viu a sua marca no estande e captura demanda em quem parou para conversar com o seu time

Cobrar de um podcast o mesmo resultado que se cobra da busca no Google é o caminho mais rápido para cortar o que está criando a demanda que depois aparece na busca.

A terceira mudança vale até para quem vive bem de captura. Mesmo uma empresa de mercado amplo, com geração de leads funcionando, precisa continuar criando demanda, porque é isso que faz as empresas pensarem nela primeiro quando entrarem no momento de compra.

Resumindo

Geração de leads é uma tática, que troca um conteúdo pelo contato de alguém.

Geração de demanda é a estratégia inteira, com quatro movimentos, que são criar, capturar, converter e expandir demanda.

A geração de leads tradicional, com material em troca do contato, está mais perto da criação do que da captura, porque quem baixa o material está aprendendo sobre o problema.

Por isso, no B2B de ticket alto, trocar a meta de volume de leads pela meta de oportunidades reais é o que tira o marketing da briga com vendas e coloca as duas áreas olhando para a receita.

Perguntas frequentes

Qual é a diferença entre geração de demanda e geração de leads?

Geração de leads é uma tática que troca um conteúdo pelo contato de uma pessoa. Geração de demanda é a estratégia de transformar um mercado-alvo em receita, em quatro movimentos, que são criar, capturar, converter e expandir demanda. A geração de leads é uma parte pequena desse trabalho.

Geração de leads é criação ou captura de demanda?

Depende de quem entrega o contato. Quando a pessoa baixa um e-book ou se inscreve num webinar, ela está se educando, então essa tática está mais perto da criação de demanda. Quando a pessoa pede uma demonstração ou uma conversa com vendas, aí sim é captura de demanda, porque existe intenção de compra.

O que é criação de demanda?

É o trabalho de fazer o mercado reconhecer um problema, entender uma forma de resolver e associar essa solução à sua empresa antes de existir uma busca ativa. O objetivo é que a sua marca seja lembrada e considerada quando a empresa entrar no momento de compra.

Por que não ter meta de geração de leads no B2B?

Porque a meta de volume de lead cria um incentivo para o marketing gerar contato de qualquer jeito, e vendas recebe pessoas sem intenção de compra. O resultado é o embate entre as duas áreas. Uma meta melhor para o marketing é o número de oportunidades reais no pipeline, a mesma coisa que vendas olha.

Geração de demanda funciona para qualquer empresa?

Sim, mas a proporção muda com o tamanho do mercado. Uma empresa com mercado amplo e ticket baixo consegue viver bastante tempo de captura, porque sempre tem muita gente comprando. Uma empresa com mercado pequeno e ticket alto bate no teto da captura rápido, e precisa investir muito mais em criação de demanda.

Quer receber esses artigos por e-mail?

Um e-mail por artigo, no dia em que ele sair. Nada além disso.

David Costa Lima

Autor

David Costa Lima

Co-fundador da B2B Insiders. Atua há mais de dez anos com estratégia, posicionamento e geração de demanda em empresas B2B de venda complexa. Perfil no LinkedIn

Publicado em .

Leve o método para a prática

Conhecer a B2B Insiders

É onde a gente aplica esse método todo dia, com cliente rodando operação de Geração de Demanda de verdade.

Ver a operação

Formação em Marketing B2B

É onde a gente ensina o Novo Inbound passo a passo, com o detalhe de execução de cada etapa.

Conhecer a formação