Semana passada eu estava tomando uma cerveja com um amigo e a conversa acabou caindo em marketing.
Para falar a verdade, hoje em dia quase todas as minhas conversas, em algum momento, caem para marketing.
Mas não foi nada muito técnico. Na verdade, eu estava explicando alguns avanços e tentei simplificar ao máximo.
É o famoso “imagina que você está explicando isso para um amigo no bar”. Só que, no caso, era exatamente eu explicando isso para um amigo no bar, rs.
E nessa de tentar fazer ele entender algo relativamente complicado de forma simples, eu soltei uma frase que, na hora, pareceu meio estranha até pra mim. Eu falei algo como:
“Cara, saber mandar mensagem no LinkedIn não é fazer marketing…
Se você chama de marqueteiro quem manda mensagem no LinkedIn, você também tem que chamar de marqueteiro quem entrega panfleto na rua.”
Ele me olhou com aquela cara de “como assim?” e riu.
Pois é, a frase solta parece meio absurda mesmo, mas se a gente analisar bem, ela é verdadeira.
Mandar mensagem no LinkedIn (outbound) e entregar panfleto no meio da rua são apenas formas de entrega. São canais.
E domínio de canal, por si só, nunca foi marketing!
Isso quer dizer que marketing é complicado? Não! A realidade é que marketing pode ser bem simples.
Mas, para que ele seja simples, você tem que entender o que ele é de verdade. E esse é o grande problema do mercado e dos profissionais de hoje.
Eu juro que é simples. Quer ver?
Para para pensar comigo: no fundo, marketing nada mais é do que um exercício constante de ajuste entre duas peças que precisam se encaixar.
De um lado, você tem o seu produto (a solução de um problema). Do outro, você tem o seu mercado (quem vive esse problema).
O marketing é o que faz o encaixe entre essas duas coisas acontecer.
O ponto é que hoje a gente vive uma inversão de valores. Se você abrir o LinkedIn agora, por exemplo, vai ver todo mundo obcecado pelo “como”…
É sempre a nova ferramenta de IA, a tática milagrosa de automação ou o hack do algoritmo.
Mas isso tudo, no máximo, só vai potencializar o que você já tem. Ou seja, se a sua estratégia é inexistente ou fraca, a tecnologia só vai acelerar o seu erro.
O irônico é que o marketing só volta a ser simples quando você entende que tudo nasce de uma hierarquia lógica.
E não é tão difícil assim. Tudo se resume em 3 pontos, olha só:
1. COM QUEM FALAR (Diagnóstico):
Aqui é o ponto de partida. Antes de apertar qualquer botão, você precisa saber quem de fato sente a dor que o seu produto resolve.
Se você não sabe quem é essa pessoa (ou empresa), fica impossível acertar na segmentação e na mensagem.
2. O QUÊ FALAR (Posicionamento):
Aqui é o coração da estratégia e lógica pura.
- O seu mercado-alvo já tem consciência do problema? Não? Então tem que educar sobre o problema.
- O seu mercado-alvo já entende que a forma de solucionar esse problema é a sua categoria? Não? Então tem que educar sobre a categoria.
- O seu mercado-alvo sabe o por que a sua solução é a melhor (custo, produto, entrega, autoridade ou nicho)? Não? Então tem que educar sobre o seu produto.
Posicionamento é maturidade de mercado + diferenciais de solução. As respostas podem não ser fáceis, mas a lógica é simples.
3. COMO FALAR (Execução):
Agora que você sabe com quem falar (ICP) e o que falar (Posicionamento), é que entra a execução tática.
É o “como” você vai impactar o seu mercado. Social Ads, newsletter, podcast, eventos… você escolhe o “brinquedo” baseado em onde o seu cliente está e no que você consegue executar.
Cara, é simples, rs.
Assim, não me entenda mal, eu não estou dizendo que marketing na prática é trivial.
Cada um desses pontos acima possui uma complexidade absurda. Mas, ao mesmo tempo, também há metodologia para os três. E se você as entende, você tem tudo o que precisa…
Tudo o que precisa para acertar? Não necessariamente. Essa é outra miopia do mercado. Muitos acham que o marketing tem que ser impecável e acertar sempre. Isso não é verdade. O papel do marketing não é acertar tudo! Mas é, sim, papel do marketing ter a capacidade de olhar para uma operação e entender exatamente onde está o erro.
É nosso papel saber qual é o próximo passo e ter o poder de educar internamente o que está acontecendo (buy-in). Só que grande parte dos profissionais de hoje não consegue ter essa clareza estratégica porque acha que o problema é sempre a execução das táticas lá no terceiro ponto.
Mas não é. Na verdade, o erro da esmagadora maioria das operações está no diagnóstico (modal de penetração + ICP) e no posicionamento. A execução, além de ser a parte mais comoditizada, é apenas o resultado das etapas anteriores.
No fundo, marketing é sobre dominar uma história. Se você não souber o porquê está contando ela, você vai continuar sendo pautado pela ansiedade do próximo “atalho”.
Marketing é o encaixe entre mercado e solução.
Quando você entende isso, o jogo muda. Você para de discutir tática no vácuo e começa a discutir penetração, maturidade de mercado, diferenciação de verdade.
E aí, curiosamente, o marketing volta a ser simples.
Não fácil.
Mas simples.
E simplicidade estratégica é o que separa quem executa campanhas de quem constrói crescimento previsível.
Abraço,
Abraço, David Costa Lima b2binsiders.com.br


